Durante minhas incessantes buscas pelo descobrimento de crimes e seus desfechos, para o desenvolvimento do meu trabalho de conclusão de curso, um livro acerca de grandes fatalidades que ocorreram na cidade onde moro, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, me deparei com um assassinato maior e mais próximo a mim do que o imaginado.
Serei uma jornalista, de arte, ofício e modéstia a parte, de dom também. Nasci e cresci com esta consciência, de que toda a minha vida será escrevendo. Mas após toda a minha infância e adolescência registrando diários com as minhas histórias, inventando histórias, além das redações escolares e mais 3 anos e meio de faculdade, percebi que algo estava errado.
Minha naturalidade e desenvoltura diante de textos, sejam eles de coisas cotidianas como este, de assessoria ou até mesmo as notas diárias de política, internacional e segurança pública produzidas para o rádio, já não fluíam como antes. Havia uma barreira sobre a qual eu me via impedida de ultrapassar. O que de fato estava acontecendo? Neste mesmo período iniciei a leitura de um livro, não por acaso de uma jornalista.
A minha mais nova leitura, para variar um pouco já que nos últimos meses todos os meus títulos de cabeceira tratavam de assassinatos e crimes macabros, era sobre uma jornalista, que perto de completar seus 40 anos, decide fazer uma busca por todos os relacionamentos fracassados, na tentativa de descobrir o porquê de ter sido vítima de cinco homens que partiram seu coração (esse é o nome do livro: 5 homens que partiram meu coração) de Susan Shapiro.
Bem, voltando ao meu caso, o que acontece é que a jornalista fez terapia durante mais de dez anos e, assim tentava compreender as melancolias e desastres que a cercavam, então, será que preciso de terapia? Na verdade, o que de fato senti, é que algo estava bloqueando minha criatividade, aliás, a criatividade não, porque ela ainda está aqui, mas a execução dela é que estava sem forças.
De algum modo, tudo o que eu pensava e planejava escrever não saia da minha mente, e ao contrário de antigamente, quando me trancava em um quarto ou banheiro e escrevia lá, minhas dez ou 12 páginas de um diário, eu me sentia uma pedra, diante da tela branca do computador. Quando menos esperava, estava eu navegando em alguma página da internet, lendo horóscopo ou algo tão “importante” quanto.
Então, quando pensava que criei até mesmo um blog, me rendendo ao pouco de mídias sociais que eu conheço, descobri que o assassinato que havia ocorrido era o da minha inspiração! Acredito que eu não seja a única pessoa a passar por este tipo de transtorno, sei que em qualquer profissão o excesso de cobrança e pressão tem impacto, geralmente negativo.
Mas não pense que foram as pressões de trabalho que me fizeram congelar. Na verdade a minha própria cobrança e exigência que resultaram em um bloqueio mental. Parece dramático, e é, mas também é bastante real.
Onde na verdade eu quero chegar? Pensando bem, quero compartilhar um momento histórico da minha vida, momento este que é vivido por mais um grupo imenso de pessoas, de várias universidades, cursos, cidades, estados e países. Faltam alguns meses para eu concluir minha graduação, tudo o que faço é pensar nos meus estágios, trabalho de conclusão de curso, minha profissão, futuro... Nossa, acho que já entendi o porquê do bloqueio! Será que eu penso de mais, ou espero muito da vida?
Preciso descobrir também se realmente vale a pena me preocupar tanto com o depois de amanhã, principalmente porque o desgaste de se viver o futuro antes do presente é imenso. Mas acontece que a ansiedade é um sentimento avassalador, que faz parte da maioria das pessoas, principalmente em momentos decisivos de suas vidas. Dá pra questionar que os períodos de maior tensão na vida de meros mortais como nós tem influência quase que mortal em nosso modo de vive, agir e pensar? Sei que assim como a minha, a sua resposta também vai ser não.
Pelo texto e intensidade das minhas palavras já deu para perceber que a inspiração está de volta, e hoje ainda tenho alguns capítulos do meu livro para escrever e muitos dias para viver. Se eu ainda vou ter outros bloqueios? É bem provável, afinal de contas sou uma pessoa praticamente normal, com muitos anseios e desejos, e claro, muitos momentos decisivos para passar. Só resta me desejar sorte e um pouco de cara de pau para enfrentar todos eles.